PURITA


Passeando alegremente e descontraída pela VCI!



Bom, hoje finalmente ganhei algum fôlego e vou falar da selva que é a VCI no Porto!
Por razões profissionais ( e graças a Deus, porque já estava saturada de estar sem nada que fazer) fui obrigada a fazer essa estrada "de pôr os cabelos em pé" quatro vezes por dia! E perguntam-me vocês: "mas está doida?".
Pois. Não estou. Tem de ser, mesmo sabendo que pode parecer uma estranha forma de masoquismo, capaz de fazer corar qualquer desporto radical!
A VCI é uma aventura de risco e quem sobrevive é digno de todos os prémios atribuídos a desportos motorizados incluindo camels trophys e dakares (que este ano não é Paris, vá-se lá entendê-los).
Mesmo assim, aqueles radares, estrategicamente colocados a meio do trajecto que costumo fazer, aliviam um bocadinho, a não ser quando um idiota que vem a 130 reduz drasticamente para 80 a um metro do radar(é giro, não é!), mas há mais, muito mais...
Mas afinal o que se vê para lá? Quem são os bárbaros? Estarei eu a caminho de me converter a bárbara também (credo!)?
Pois caríssimos, na VCI vale tudo, mas mesmo...tudo.
Se se fizesse uma daquelas sondagens à boca da urna, ganhava a direita de certeza! Isto porque as leis do trânsito na VCI sofrem uma estranha inversão, e as ultrapassagens são (sempre) feitas pela direita!
"Prefere a direita ou a esquerda?" "A direita, claro", responderia alegremente um VCIense após ter votado para decidir definitivamente a lei que impera na "selva".

Também há aquela espécie que se assume na VCI como o representante daqueles que, a certa altura da vida, ultrapassam a crise existencial que sempre os assolou e mudam do MRPP para o CDS!
São aqueles "cámónes" que em cima da saída (mas mesmo em cima!) mudam da faixa mais à esquerda para atravessarem a estrada, e, tranquilamente, ao volante do seu BM, sair em direcção a casa, sempre tranquilos, sempre numa descontracção assustadora, diria mesmo indiferentes, anestesiados, de tal forma que nem se dão conta das buzinadelas que entretanto começaram a chover.
Mas, o meu prato preferido da VCI é mesmo a ultrapassagem a que carinhosamente chamei de "sandwich"!
É uma descarga de adrenalina, não podem imaginar!
Esta suposta acrobacia consiste em seguir tranquila, na faixa que lhe compete (não quero que fiquem a pensar que sou uma trenga ou que tenho medo), e deixar-se ultrapassar simultaneamente pela esquerda e pela direita (de repente lembrei-me do Santana Lopes, e pensei que ele talvez me entenda)! É um espectáculo!
Isto é melhor que fazer rapel!Ou descer os rápidos em canoa! VCI, the ultimate survival test!

Para já ainda me situo nos indecisos, ou os "não sabe/não responde", e vou mantendo a minha postura civilizada (ainda). Não sei até quando, porque se em Roma sê romano, na VCI, sê animal!

2 Responses to “Passeando alegremente e descontraída pela VCI!”

  1. # Blogger Nónio

    Tenho uma opinião sobre a VCI. Não serve para nada. Partiram a cidade a meio (estas coisas no meio das cidades ou deve ser por baixo ou por cima e nunca à cota) e não significa vantagem. Passo a explicar. Em hora de ponta, é mais rápido ir pelas ruas das cidade. Em hora sem ser de ponta, é mais rápido e perigosíssimo andar na VCI. O mais rápido numa cidade pequenina como o Porto é fazer em quatro minutos o que levaria 10. Pergunto, vale a pena haver VCI? Penso que não. Aliás, como é mais rápido é rápido de mais, então tenta por-se mais lento, colocando radares!!!! Faz sentido? Em Portugal há esta mania. Fazem-se estradas no meio das cidades, não lembrando que ali vão passear crianças. Depois, como morre muita gente, colocam-se lombas que espatifam os carros e tornam a circulação numa aventura. Mais valia deixar as curvinhas e buracos que lá estavam.  

  2. # Anonymous Anónimo

    Eu gostei do texto da Purita, e também apreciei o comentário inteligente e bem-humorado do Nónio. Não sou do Porto, não conheço a VCI senão das estações de rádio, mas está-se mesmo a ver que o retrato tirado é exacto, Lisboa tem os seus equivalentes óbvios.

    È curioso o dilema ético-prático com que termina a Purita: “vou mantendo a minha postura civilizada (ainda). Não sei até quando, porque se em Roma sê romano, na VCI, sê animal!”. Na vida em geral, dava muito para escrever. Há quem recomende o “tit for tat”, o tratamento diferenciado e na mesma moeda de cada um dos nossos parceiros, como regra de sobrevivência. Mas na VCI, Purita, não vale a pena. É só uma estrada, são só pessoas dentro de carros. Deixa os parvos avançarem mais dois metros, usa a inteligência e mantém a segurança. O que a gente quer é que tu chegues bem para escreveres no teu blog. :-)

    P.  

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